
Faz tempo, eu sei, mas toda a discussão sobre a necessidade (ou não) do diploma de jornalismo escapuliu sem que um dos assuntos mais importantes deste tema fosse tratado nem pelo lado dos que defendiam, nem pelos que não defendiam. O jornalismo que eu faço precisa de diploma?
É um questionamento que toca o âmago do sentimento e da presunção jornalística. Ele cutuca a ferida aberta pela decisão do juiz do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Independente de ser a favor ou contra a necessidade de um curso superior específico para a prática, isso ficou em aberto.
Vi muitos usarem argumentos - os mais fajutos e impressionantes possíveis - para declarar-se contra a decisão do STF, mas nenhum foi capaz de fazer a reflexão e a autocrítica necessária para se perguntar sobre o jornalismo que faz. E essa, talvez, seja a questão mais importante.
É clichê repetir que o jornalismo brasileiro vive em crise ética e de identidade. Principalmente quando falamos do que é feito regionalmente. Jornais sem credibilidade, textos mal escritos, fofocas reproduzidas, excesso de violência e de frivolidades. Será mesmo que é necessário quatro anos de um curso superior para repetir isto?
Como estudante de jornalismo e com um pouco que conheço do mercado, acho frustrante constatar que grande parte do que aprendi nas cadeiras é simplesmente rasgado por redações, principalmente as de cidades menores, sem o menor escrúpulo por parte dos ditos “profissionais”. Uma parte disso, em função da crise financeira dos meios de comunicação (é preciso vender a todo custo), outra, sim, culpa dos jornalistas que estão no ramo e que ficam acomodados com a sua atividade.
Além disso, há outra constatação ainda mais grave: a falta do hábito leitura em muitos profissionais da imprensa. É incabível que uma pessoa dita jornalista não leia, pelo menos, uns seis livros por ano - fora jornais e revistas diariamente. E isto acontece. Alguns jornalistas de hoje parecem agir como se estivessem no ensino médio e como se a profissão não fosse um mero exercício de cumprir ordens, sem refletir sobre elas. Uma repetição de vícios.
Falta tesão pela profissão em muita gente, falta curiosidade intelectual, falta formação. E isto reflete tanto no material produzido, quanto na formação dos novos profissionais - que se veem imersos em redações e com “jornalistas” que são o inverso daquilo que imaginavam quando estudantes. Fato que contamina as novas gerações. Essa falta de compostura toda ainda vem impregnada de uma presunção, à tona quando reclamam da decisão do STF.
Uma das questões colocadas pelo Supremo na hora que extinguiu a necessidade do diploma de jornalista bate também na qualidade da nossa imprensa. O jornalismo feito em várias redações brasileiras (talvez a maioria) não necessita de diploma, nem de uma formação técnica. Dizer que para fazer um texto jornalístico, ou para realizar uma mera pesquisa no Google à título de apuração, são qualidades inerentes a uma formação acadêmica é, no mínimo, zombar da academia como formadora intelectual que é.
Medir o impacto da ausência do diploma no mercado é, para mim, menos importante do que medir a capacidade intelectual do jornalista que hoje está na profissão e se gaba por ter um pedaço de papel assinado por uma universidade qualquer. Não acredito que a formação acadêmica é fundamental para o jornalista, mas acredito que uma formação intelectual - e aí, nesse ponto, entra também a universidade - é imprescindível para um bom jornalismo.
O jornalista não pode se negar a possuir um conhecimento geral mínimo de literatura e de história, de filosofia, de ética, de economia, de cultura, além de possuir uma boa técnica de escrita e uma capacidade gramatical, ao menos, regular. Fora o senso crítico que é fundamental na profissão. O que existe no mercado são profissionais "diplomados" que não se preocupam em conhecer mais, em se informar mais, que se formaram levando o curso (e a leitura recomendada) na barriga e se limitam, apenas, a reclamar do salário – baixo em cidades pequenas porque, em parte, o jornalismo que fazem também é baixo.
Não acho que o impacto da falta de obrigatoriedade do diploma para jornalismo será o fim do mundo da profissão. O mercado vai continuar contratando quem ele julga apto para aquele serviço e se um indivíduo formado em letras (ou em qualquer outra graduação) tiver mais competência intelectual do que outro formado em jornalismo é possível que ele seja o escolhido para o cargo. No caso, claro, de um órgão de imprensa que se respeite e que busque credibilidade.
O fim do diploma deveria ser visto como uma oportunidade para os jornalistas com diploma de cuidarem mais de aspectos intelectuais e de se preocuparem mais com o que lêem e com o que escrevem, do que com o fim da profissão, ou com o fato de que qualquer um, hoje, pode ser jornalista. A decisão deve ser vista sobre uma ótica de autocrítica quanto a atividade que fazemos e não como justificativa para se lamuriar quanto a uma decisão judicial que tem sim uma lógica e um pé na realidade.
Mais importante do que ter diploma para exercer o jornalismo, deveria ser exercer um jornalismo digno de diploma, porque aí sim estaremos cumprindo com o papel social digno da profissão.
É um questionamento que toca o âmago do sentimento e da presunção jornalística. Ele cutuca a ferida aberta pela decisão do juiz do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Independente de ser a favor ou contra a necessidade de um curso superior específico para a prática, isso ficou em aberto.
Vi muitos usarem argumentos - os mais fajutos e impressionantes possíveis - para declarar-se contra a decisão do STF, mas nenhum foi capaz de fazer a reflexão e a autocrítica necessária para se perguntar sobre o jornalismo que faz. E essa, talvez, seja a questão mais importante.
É clichê repetir que o jornalismo brasileiro vive em crise ética e de identidade. Principalmente quando falamos do que é feito regionalmente. Jornais sem credibilidade, textos mal escritos, fofocas reproduzidas, excesso de violência e de frivolidades. Será mesmo que é necessário quatro anos de um curso superior para repetir isto?
Como estudante de jornalismo e com um pouco que conheço do mercado, acho frustrante constatar que grande parte do que aprendi nas cadeiras é simplesmente rasgado por redações, principalmente as de cidades menores, sem o menor escrúpulo por parte dos ditos “profissionais”. Uma parte disso, em função da crise financeira dos meios de comunicação (é preciso vender a todo custo), outra, sim, culpa dos jornalistas que estão no ramo e que ficam acomodados com a sua atividade.
Além disso, há outra constatação ainda mais grave: a falta do hábito leitura em muitos profissionais da imprensa. É incabível que uma pessoa dita jornalista não leia, pelo menos, uns seis livros por ano - fora jornais e revistas diariamente. E isto acontece. Alguns jornalistas de hoje parecem agir como se estivessem no ensino médio e como se a profissão não fosse um mero exercício de cumprir ordens, sem refletir sobre elas. Uma repetição de vícios.
Falta tesão pela profissão em muita gente, falta curiosidade intelectual, falta formação. E isto reflete tanto no material produzido, quanto na formação dos novos profissionais - que se veem imersos em redações e com “jornalistas” que são o inverso daquilo que imaginavam quando estudantes. Fato que contamina as novas gerações. Essa falta de compostura toda ainda vem impregnada de uma presunção, à tona quando reclamam da decisão do STF.
Uma das questões colocadas pelo Supremo na hora que extinguiu a necessidade do diploma de jornalista bate também na qualidade da nossa imprensa. O jornalismo feito em várias redações brasileiras (talvez a maioria) não necessita de diploma, nem de uma formação técnica. Dizer que para fazer um texto jornalístico, ou para realizar uma mera pesquisa no Google à título de apuração, são qualidades inerentes a uma formação acadêmica é, no mínimo, zombar da academia como formadora intelectual que é.
Medir o impacto da ausência do diploma no mercado é, para mim, menos importante do que medir a capacidade intelectual do jornalista que hoje está na profissão e se gaba por ter um pedaço de papel assinado por uma universidade qualquer. Não acredito que a formação acadêmica é fundamental para o jornalista, mas acredito que uma formação intelectual - e aí, nesse ponto, entra também a universidade - é imprescindível para um bom jornalismo.
O jornalista não pode se negar a possuir um conhecimento geral mínimo de literatura e de história, de filosofia, de ética, de economia, de cultura, além de possuir uma boa técnica de escrita e uma capacidade gramatical, ao menos, regular. Fora o senso crítico que é fundamental na profissão. O que existe no mercado são profissionais "diplomados" que não se preocupam em conhecer mais, em se informar mais, que se formaram levando o curso (e a leitura recomendada) na barriga e se limitam, apenas, a reclamar do salário – baixo em cidades pequenas porque, em parte, o jornalismo que fazem também é baixo.
Não acho que o impacto da falta de obrigatoriedade do diploma para jornalismo será o fim do mundo da profissão. O mercado vai continuar contratando quem ele julga apto para aquele serviço e se um indivíduo formado em letras (ou em qualquer outra graduação) tiver mais competência intelectual do que outro formado em jornalismo é possível que ele seja o escolhido para o cargo. No caso, claro, de um órgão de imprensa que se respeite e que busque credibilidade.
O fim do diploma deveria ser visto como uma oportunidade para os jornalistas com diploma de cuidarem mais de aspectos intelectuais e de se preocuparem mais com o que lêem e com o que escrevem, do que com o fim da profissão, ou com o fato de que qualquer um, hoje, pode ser jornalista. A decisão deve ser vista sobre uma ótica de autocrítica quanto a atividade que fazemos e não como justificativa para se lamuriar quanto a uma decisão judicial que tem sim uma lógica e um pé na realidade.
Mais importante do que ter diploma para exercer o jornalismo, deveria ser exercer um jornalismo digno de diploma, porque aí sim estaremos cumprindo com o papel social digno da profissão.


