terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A mediocridade e a política no Brasil


Acordei hoje de manhã com um belo e curto texto do jornalista Gilberto Dimenstein da Folha de S. Paulo. 

Nele, Dimenstein comenta a decisão de José Serra em disputar a prefeitura de São Paulo e lembra algo que cada vez parece mais óbvio na nossa política: a disputa irracional dos partidos pelo poder. 

O texto critica a iniciativa do PT que se aproximou do atual prefeito Gilberto Kassab com o único objetivo de garantir apoio a candidatura de Fernando Hadad. E depois disso, a decisão de Serra em se candidatar, o que trouxe Kassab de volta ao nicho onde nasceu. 

Essa mudança de ares fez o PT voltar a ser crítico da administração municipal de São Paulo e esquecer o afeto que tinha por Kassab até poucas semanas atrás. 

A questão é: a estratégia política vil ficou a frente do interesse do cidadão e da sociedade. Não foi o debate de como tornar a cidade melhor ou de quais políticas públicas implementar que prevaleceu, mas apenas o melhor acordo que garantiria a manutenção ou a perda do poder por algum dos grupos políticos. 

O debate essencial da política, que são os projetos, as políticas públicas, a melhoria da sociedade está cada vez mais distante dos políticos e dos partidos. O interesse da política partidária parece ser sempre pela disputa de poder a qualquer custo. E a sociedade perde, porque fica em segundo plano. 

É um problema que contagia praticamente todas as legendas. Em nome desse pragmatismo político-partidário, morre a razão principal da política: que é a de melhorar a vida do cidadão. 

E nesse preâmbulo o questionamento do movimento Occupy (que no Brasil acabou, infelizmente, refém dos interesses partidários) ganha sentido: será que essa política partidária e essa democracia representa, de fato, o interesse dos cidadãos? Ou apenas de agremiações políticas e corporações econômicas?

Vale a reflexão

Ps. Depois do longo e nada tenebroso carnaval (meu feriado preferido) volto a atualizar esse espaço malcriado.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os perigos da insegurança e da sensação de insegurança em Natal


A ensolarada cidade de Natal passa, desde o início de 2012, por algo inédito: estamos todos tomados por uma forte sensação de insegurança.

Medo de assaltos, roubos, arrastões, assassinatos, violência.

A coisa começou, inicialmente, com a onda de assaltos a ônibus em janeiro. Piorou depois da fuga em massa que ocorreu em Alcaçuz. 

Os assaltos em Petrópolis e na Salgado Filho fizeram a situação se tornar dramática. O natalense hoje se sente refém.

Há duas coisas, porém, que é preciso  destacar: 

A primeira - não é de hoje que Natal está mais perigosa. Dados do Ministério da Justiça sobre violência urbana na cidade demonstram isso. 


Detalhe: para a OMS, o índice considerado "normal" é até 10 homicidios por 100 mil. 

A situação não mudou da noite para o dia. A escalada da violência vem há mais tempo. 

O fenômeno que ocorre agora é outro: a sensação de insegurança aumentou muito nesses últimos meses. Muito pelo fato de a violência ter saído do outro lado da ponte e atingido os bastiões da classe média e alta natalense.

O problema não é novo e não foi tratado de forma adequada pelo governo Wilma, nem está sendo tratado de forma adequada pelo governo Rosalba.

A outra questão é: o processo irracional que as pessoas passam quando se sentem reféns da violência.

Não, bandido bom não é bandido morto. Bandido bom é bandido preso e aprendendo uma profissão. E não, diminuir a maioridade penal não vai diminuir a violência, vai contribuir para que as crianças já violentas se tornem ainda piores. 

E não, caro amigo, não é comprando uma arma de fogo, ou entrando num clube do tiro que você ficará mais seguro.

Esse processo irracional, que descamba em lugares-comum conservadores é perigoso. 

Não só Natal, mas como o Rio Grande do Norte está mais violento. A ira e revolta da população tem que ser canalizada para exigir ações efetivas do governo estadual (que cortou em 22% as verbas para a área de segurança para 2012) e do governo federal também.

Mais policiais nas ruas, investimentos tanto na estrutura penitenciária, quanto na estrutura da polícia militar e civil. 

Vale frisar: num Estado onde as delegacias ainda usam máquina de escrever, o PM deixa de ir para uma diligência porque falta gasolina no carro e a polícia técnica não tem a mínima estrutura para investigar homícidios, a violência é uma consequência. 

E para diminuir basta investimento, vontade política e planejamento. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Notícia é

Em homenagem aos meus amigos Anônimos da Ratts que não se cansam de comentar as notícia a respeito do #fail deles no caso Faceburg.


Facebook Brasil desmente boato que estaria processando empresa potiguar


Entrei em contato na manhã de hoje com a CDN Comunicação Corporativa, responsável pela assessoria de imprensa do Facebook Brasil.

Quem me atendeu foi Luciana Ferreira, que pediu que eu encaminhasse um email, para que ela pudesse checar a informação do suposto processo que o Facebook estaria movendo contra a empresa potiguar.

No email, escrevi:

Olá Luciana,

Surgiu a informação veiculada aqui em Natal em colunas de jornal e em alguns blogs que a empresa Faceburg, sanduicheria recém aberta, estaria sendo processada pelo Facebook Brasil. 

O motivo seria o uso do nome Face. 

Queria checar a informação com vocês se possível até as 15h.



A resposta da Assessora foi curta, grossa e não deixou vazão para dúvidas. Segue:

Fábio, não procede



Bem, os donos do Faceburg podem ficar tranquilos: não há nenhum processo contra eles. 


A empresa que faz o marketing é que deveria ter mais cuidado na hora de criar um factóide. É feio e pega mal. 

A irresponsabilidade do Faceburg e o plágio da marca

Por conta da última postagem do blog, a empresa responsável pelo marketing do Faceburg me mandou um email com o documento que provaria o "processo judicial" da gigante norte-americana contra a sanduicheria natalense.

Como pediram sigilo com relação do documento, não vou divulgá-lo. Mas, mesmo assim, ele demonstra o quanto a ação de marketing e a tentativa de gerar um viral com relação a esse suposto processo foi falha. E  corrobora a tese: a história do processo é um factóide. 

A data do documento é do dia 16 de dezembro de 2011. Foi assinado por Sandra Leis do Instituto Dannemann Siemsen. A empresa diz ter uma procuração para falar em nome do Facebook. 

Diferente do que foi divulgado, não há ainda nenhum processo judicial em curso. O documento, que é datado bem antes do início da operação da empresa, pede que os donos suspendam o registro da marca e do nome Faceburg.

É uma notificação, um aviso, sem valor jurídico. 

De acordo com o documento, os donos da marca Faceburg estariam em um "aproveitamento parasitário" da marca da gigante norte-americana.

A questão em voga não é, apenas, o nome Face. A fonte utilizada na marca oficial é a mesma usada pelo Facebook, além da mesma cor e da letra "F", minúsculo nos dois nomes. 


A semelhança entre as duas logos é gritante. 



Outra coisa alegada é com relação ao nome Burg, que é foneticamente semelhante à palavra Book, do original. 

Diferente do que foi divulgado, não pedem que parem de usar a marca apenas por conta da palavra Face, mas porque tanto o nome quanto a marca são uma cópia lavada do Facebook. 

É, de fato, um plágio. 

Segundo os procuradores, a empresa natalense inflinge o artigo130 de propriedade intelectual.

O documento pede que a empresa não faça o registro da marca e nem a utilize em meios de comunicação. Caso o registro fosse feito e a marca, utilizada, o Facebook poderia tomar medidas cabíveis contra a utilização da marca, apenas da marca. Não fala nada com relação ao funcionamento do Faceburg, conforme erroneamente foi divulgado.

Deram um prazo de 15 dias, a contar do dia 23 de dezembro, para que houvesse uma resposta dos responsáveis pela empresa. Não sei se houve resposta. 

É bom frisar que toda essa polêmica ocorreu ANTES da empresa registrar o nome Faceburg e da sanduicheria funcionar.

A sanduicheria foi inaugurada na semana passada, quase dois meses depois da notificação.

E foram, no minimo, irresponsáveis ao plagiar a marca, não atender a notificação enviada peloos representantes do Facebook e ainda e tentar se aproveitar disso para criar um ação de marketing viral. 


A questão é que o Faceburg pode ter que mudar de marca por conta do plágio irresponsável que fizeram da marca do Facebook. Mas vai continuar funcionando. 

O blog entrou em contato com a assessoria de imprensa do Facebook Brasil e aguarda a resposta oficial da  gigante norte-americana.