A ensolarada cidade de Natal passa, desde o início de 2012, por algo inédito: estamos todos tomados por uma forte sensação de insegurança.
Medo de assaltos, roubos, arrastões, assassinatos, violência.
A coisa começou, inicialmente, com a onda de assaltos a ônibus em janeiro. Piorou depois da fuga em massa que ocorreu em Alcaçuz.
Os assaltos em Petrópolis e na Salgado Filho fizeram a situação se tornar dramática. O natalense hoje se sente refém.
Há duas coisas, porém, que é preciso destacar:
A primeira - não é de hoje que Natal está mais perigosa. Dados do Ministério da Justiça sobre violência urbana na cidade demonstram isso.
Detalhe: para a OMS, o índice considerado "normal" é até 10 homicidios por 100 mil.
A situação não mudou da noite para o dia. A escalada da violência vem há mais tempo.
O fenômeno que ocorre agora é outro: a sensação de insegurança aumentou muito nesses últimos meses. Muito pelo fato de a violência ter saído do outro lado da ponte e atingido os bastiões da classe média e alta natalense.
O problema não é novo e não foi tratado de forma adequada pelo governo Wilma, nem está sendo tratado de forma adequada pelo governo Rosalba.
A outra questão é: o processo irracional que as pessoas passam quando se sentem reféns da violência.
Não, bandido bom não é bandido morto. Bandido bom é bandido preso e aprendendo uma profissão. E não, diminuir a maioridade penal não vai diminuir a violência, vai contribuir para que as crianças já violentas se tornem ainda piores.
E não, caro amigo, não é comprando uma arma de fogo, ou entrando num clube do tiro que você ficará mais seguro.
Esse processo irracional, que descamba em lugares-comum conservadores é perigoso.
Não só Natal, mas como o Rio Grande do Norte está mais violento. A ira e revolta da população tem que ser canalizada para exigir ações efetivas do governo estadual (que cortou em 22% as verbas para a área de segurança para 2012) e do governo federal também.
Mais policiais nas ruas, investimentos tanto na estrutura penitenciária, quanto na estrutura da polícia militar e civil.
Vale frisar: num Estado onde as delegacias ainda usam máquina de escrever, o PM deixa de ir para uma diligência porque falta gasolina no carro e a polícia técnica não tem a mínima estrutura para investigar homícidios, a violência é uma consequência.
E para diminuir basta investimento, vontade política e planejamento.
