As agressões diárias e o direito de dizer não



As imagens mostram claramente: um rapaz, ao levar o fora da menina, joga-a no chão. Ele força o braço da garota de tal forma que o quebra em duas partes. (veja o vídeo) 

Isso tudo numa das boates mais famosas de Natal.

A história é de quase um mês atrás, mas ressuscitou graças ao vídeo divulgado pelo Portal B.O. Nele, o espectador vê claramente a cena de violência e acompanha a fuga do agressor.

A covardia e brutalidade do caso indignaram milhares de pessoas. As imagens foram reproduzidas com mensagens de repúdio ao ato de Rômulo Lemos, um comerciante que deve ter por volta dos 30 anos.

Note: a garota agredida tem 19 anos de idade.

A foto dele circulou aos montes. Todos levantavam o dedo para acusá-lo do crime que cometeu.

Houve até quem prometesse fazer, de fato, justiça com as mãos.

O ato de Rômulo Lemos, apesar de lamentável, covarde, imbecil e todos os adjetivos ruins que merece ter, é, infelizmente, mais comum do que se pensa.

Em festa de playboy, mulher que dispensa o bombado mauricinho recebe, em diversas ocasiões, no mínimo agressões morais em troca do tipo: “rapariga”, “puta”.

Alguns, mais esquentadinhos, chegam a dar empurrões e até tapas quando são frustrados na tentativa de ficar com a menina.

Muita gente pensa que não, mas agredir moralmente é tão babaca, covarde e estúpido, quanto quebrar o braço de uma menina. Seja em qual ocasião for.

E nesse quesito temos milhares de Rômulos Lemos espalhados por aí, agredindo moral ou fisicamente as mulheres porque simplesmente tiveram seus desejos sexuais frustrados.

O caso de Rômulo Lemos ficou emblemático pela violência empregada e pela força das imagens divulgadas. Mas, infelizmente, não é exceção.

Quantas mulheres, em boates, shows, seja lugares frequentados pela elite, seja lugares frequentados pelas classes menos favorecidas são agredidas moralmente e até fisicamente em Natal?

Pode ter certeza que muitas.

Isso me intriga. Há muita gente que pensa que, basta mostrar ojeriza a esse caso e pronto, está perdoado. Mas não deixa de agredir moralmente, às vezes, a própria namorada. Hipocrisia.

Essa agressão me lembra da oportunidade que tive de participar, como repórter, da Marcha das Vadias que ocorreu em Natal há uns três meses.

Um dos motes das mulheres era: pelo direito de dizer não.

E de fato, é um direito que muitas delas não têm.

Rômulo Lemos é a ponta do iceberg de uma realidade lamentável. De uma forma de machismo que persiste ainda fortemente.

Sua atitude faz parte um paternalismo imbecil e estúpido que acredita na força bruta, não na inteligência, na educação, nos bons modos.

Enquanto faltar uma educação que preze pelo respeito, sobretudo com as mulheres, outros Rômulos Lemos estarão sendo produzidos no país.

Sejam agressores que partam para uma forma de violência mais explícita, seja também aqueles – tão imbecis quanto – agridem moralmente para se sentirem superiores.

Os pseudo machões da sociedade.

2 comentários:

  1. Fernanda Damasceno22 de outubro de 2011 13:51

    Pois eu tambem vejo muita mulher metida a arroxada nas festas. E que mandam até o cara "ir tomar no ..."

    Então esse tipo de comportamento é óbvio que nao fica retrito somente aos homens.

    Os caras que são presença nas festas, as mulheres são, da mesma forma, insistentes. É como se só existisse aquele tipo de homem para elas ficarem. São insistentes, são chatas, mesmo o cara recusando de ficar com elas.

    Nos dias de hoje, em que mulher e homem são iguais, em direitos, pode ter certeza que o quem um homem faz hoje em dia, a mulher tambem faz. Se existe homem violento, existe mulher violenta tambem

    Se existe homem mal educado e insistenten querendo ficar na balada com uma mulher, pode ter certeza que aos montes que tambem existem mulheres insistentes e mal educadas querendo ficar com um homem em específico na balada, mesmo que elas necessitem ser violentas.

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  2. Fernanda, respeito tem que ser regra, seja com homem, seja com mulher - nisso concordo com você. Mas acredito que nada justifica a violência física e moral, principalmente contra a mulher. É covardia.

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