O problema de mobilidade urbana em Natal e a Copa do Mundo


Natal é a única cidade que conheço em que não há uma ligação entre o aeroporto e a cidade por meio de ônibus.

O turista desavisado (ou o low fare) que chega a Natal precisa pegar um táxi se quer ir para Ponta Negra (onde fica a maioria dos hoteis e albergues) ou ao centro. vai desembolsar, no mínimo, R$ 50 para fazer o trajeto. 

E táxi em Natal é caro, há pesquisas que indicam que aqui se cobra a tarifa mais alta no Nordeste.

Na cidade, é mais fácil o sujeito da Zona Norte pegar transporte para ir ao hospital Walfredo Gurgel na Zona Sul, do que chegar na UPA da Zona Norte. 

Da Roberto Freire, se o sujeito quer chegar na Prudente de Morais, tem que pegar dois ônibus. Mas se for para Zona Norte (mais de 15km  de distância), um ônibus só. Se quiser ir para Parnamirim (menos de 10 km de distância) pega dois ônibus e paga tarifa mais cara: cerca de R$ 2,50 a passagem. 


A vida do motorista também não anda fácil.

Roberto Freire e Prudente de Morais, as duas principais avenidas da cidade, estão cada vez mais intransitáveis. E o problema não é só na hora de pico. Engarrafamentos a toda hora. 

As ruas são estreitas demais para a quantidade de carros. Faltam placas e sinalização adequada das avenidas. Os sinais de trânsito são todos desincronizados: o sujeito sai de um sinal, anda 200 metros, para noutro, vermelho.

Estacionar na região central da cidade: Tirol, Petrópolis, Cidade Alta, Ribeira, é um desafio hercúleo, uma luta.

E aí, vem o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e fala assim para o Diário de Natal: a cidade não precisa de obras de mobilidade para receber a Copa do Mundo. 

O governo Rosalba concorda com o argumento. Micarla, idem.

Resultado: teremos em menos de dois anos um estádio de R$ 1.2 bilhão para receber incríveis jogos da Série B e Série C do brasileiro, depois da Copa do Mundo. O trânsito/transporte público continuarão caóticos, os hospitais, lotados e a segurança pública problemática.

Maravilha. 

6 comentários:

  1. O problema é bem sério mesmo e os políticos tentam justificá-lo pela incapacidade de investir em mobilidade. Tanto a prefeitura quanto o governo do estado estão quebrados devido a algo que é óbvio: a economia local não está acompanhando o desenvolvimento do país. O estado se acostumou a (perdoem-me pela expressão) mamar na tetinha da Petrobras, enquanto a cidade boiava na boa onda do turismo. Vendo reduzidas as duas fontes de recursos sem tomar iniciativas concretas, o povo potiguar está pagando o preço.

    Sobre transporte coletivo a partir do aeroporto, não existe um ônibus executivo, como em outras cidades, mas tem a linha A da Trampolim da Vitória, que vai até Natal.

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  2. Nunca esqueça de comentar a dívida que o estádio vai deixar. Na verdade, o que teremos, ao fim da Copa, é um elefante branco e muito dinheiro a pagar.

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  3. Isso vindo de quem mesmo? Da governadora Rosalba, da prefeita Micarla e do deputado que foi relator do código florestal? Ah, tá... É gente entendida (da arte de fingir que trabalha enquanto passa a rasteira na gente e ainda fica dando risada).

    Obs: e os recursos que a gente pegou emprestado pras obras de mobilidade que não saíram - e provavelmente nunca sairão - do papel?

    Só sei que tem uma tchurma se dando bem nesse negócio e posso dizer com toda a certeza QUE EU NÃO ESTOU ME BENEFICIANDO.

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  4. Você tem certeza que frequenta o Augusto Severo? Nunca viu ônibus Trampolim da Vitória lá? Sobre a tarifa, é o normal. Em São Paulo, o usuário paga mais caro quando quer ir para Guarulhos ou alguma outra cidade da Região Metropolitana. E qual o problema de ter um estádio para jogos da Série B e C?

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    1. Olá Anônimo, você por aqui? :)

      Que bom, pelo visto gostou do blog.

      Bem, frequento muito o Augusto Severo, mas não conhecia a linha da Trampolim. Falaram dela, inclusive, aqui nesses comentários.

      Mas, pensa só: uma linha para ligar uma cidade turistica do porte de Natal entre o aeroporto e o centro da cidade? Linha que não passa nem em Ponta Negra, que é ponto turístico?

      Você não acha que tem alguma coisa errada? E quem tem pouco dinheiro? E quem chega no Augusto Severo e quer ir para a Zona Norte, ou para a vila de Ponta Negra? Como faz?

      Sobre SP, em Garulhos você pega a linha Tatuapé que te deixa em uma das maiores estações de metrô da cidade. Pelo preço de uma passagem de onibus intermunicipal de lá, não é sensacional? Toda vez que fui a são Paulo (já fui seis vezes) eu pego essa linha.

      Sobre o estádio, a pergunta que deve ser feita é: qual é o problema em gastar R$ 1.2 bilhão em um estádio ultramoderno, com capacidade para mais de 40 mil pessoas, quando o Machadão mal se sustentava sediando jogos das séries B e C?

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    2. Bom, sobre São Paulo, eu frequento muito a cidade e pego essa linha aí também. Custa 4,10 até o Tatuapé e mais 2,90 de metrô (agora aumentou para 3,00). Sete reais. Aqui um indivíduo pode pegar o Trampolim, descer no shopping e pegar outro para ir em PN. Para mim, o que falta no Augusto Severo é um ônibus de turismo, tipo o "frescão" no Rio ou o que existe em São Paulo, que custa 32 reais.

      Enfim, se a maior cidade do país não tem um serviço tão eficiente assim, exigir que Natal tenha é um pouquinho demais.

      Em relação ao estádio, é o preço que se paga para termos um evento inédito em Natal, que, queira ou não, vai trazer benefícios para a cidade.

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