Midias sociais e o #fail do Faceburg

Mídia social e mídia tradicional se retroalimentam. Engana-se quem pensa (e há muitos que pensam) que um vai matar o outro. Pelo contrário, ao que parece, cada vez mais um depende mais que o outro.

A mídia tradicional depende do twitter e do facebook para garantir maior tráfego e mais leitores. Ações e campanhas nas redes sociais precisam da mídia tradicional que, me parece, tem mais credibilidade que usuários de twitter e facebook. 

Credibilidade é o ponto.

Falo isso depois de acompanhar um #fail de uma agência de publicidade daqui. Com o claro objetivo de gerar um viral, o Faceburg criou um factóide: dizia que estava sendo processo pelo Facebook.

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Postou a informação num blog, colocou um vídeo super bem produzido para isso e linkou a página da sanduicheria. 

O #fail começa, primeiro, porque a empresa não divulgou nenhuma notificação oficial do Facebook, o texto no blog dizia que os usuários criaram um vídeo para protestar contra a suposta ação da empresa norte-americana.

Você clica play no vídeo e vê, claramente, que - apesar de bonito - essa superprodução dificilmente seria feita por um usuário comum.

Outro erro foi dizer que usuários criaram um grupo no facebook em solidariedade a empresa. Quando você entra no grupo, não vê um post sequer comentando essa suposta notícia de protesto.

A coisa ficou tão óbvia que era embuste de marketeiro que o pessoal chiou na página oficial da sanduícheria e nos comentários do blog, que publicou inicialmente a informação. 

Usuário de internet é mais inteligente do que parece, fellows.

A ideia do boato afundou e prejudicou, ao final, a imagem da empresa. Parece que o Faceburg quer enganar o próprio consumidor. 

Se quer criar um viral, a partir de uma notícia, você, primeiro, precisa plantar ela em algum veículo tradicional (muito marketeiro é profissional nisso) e esperar que ela se espalhe. Pode ser que dê certo, pode ser que não.

Mas fazer algo com uma mega cara de embuste, como foi feito, é que não pode.

O problema de mobilidade urbana em Natal e a Copa do Mundo


Natal é a única cidade que conheço em que não há uma ligação entre o aeroporto e a cidade por meio de ônibus.

O turista desavisado (ou o low fare) que chega a Natal precisa pegar um táxi se quer ir para Ponta Negra (onde fica a maioria dos hoteis e albergues) ou ao centro. vai desembolsar, no mínimo, R$ 50 para fazer o trajeto. 

E táxi em Natal é caro, há pesquisas que indicam que aqui se cobra a tarifa mais alta no Nordeste.

Na cidade, é mais fácil o sujeito da Zona Norte pegar transporte para ir ao hospital Walfredo Gurgel na Zona Sul, do que chegar na UPA da Zona Norte. 

Da Roberto Freire, se o sujeito quer chegar na Prudente de Morais, tem que pegar dois ônibus. Mas se for para Zona Norte (mais de 15km  de distância), um ônibus só. Se quiser ir para Parnamirim (menos de 10 km de distância) pega dois ônibus e paga tarifa mais cara: cerca de R$ 2,50 a passagem. 


A vida do motorista também não anda fácil.

Roberto Freire e Prudente de Morais, as duas principais avenidas da cidade, estão cada vez mais intransitáveis. E o problema não é só na hora de pico. Engarrafamentos a toda hora. 

As ruas são estreitas demais para a quantidade de carros. Faltam placas e sinalização adequada das avenidas. Os sinais de trânsito são todos desincronizados: o sujeito sai de um sinal, anda 200 metros, para noutro, vermelho.

Estacionar na região central da cidade: Tirol, Petrópolis, Cidade Alta, Ribeira, é um desafio hercúleo, uma luta.

E aí, vem o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e fala assim para o Diário de Natal: a cidade não precisa de obras de mobilidade para receber a Copa do Mundo. 

O governo Rosalba concorda com o argumento. Micarla, idem.

Resultado: teremos em menos de dois anos um estádio de R$ 1.2 bilhão para receber incríveis jogos da Série B e Série C do brasileiro, depois da Copa do Mundo. O trânsito/transporte público continuarão caóticos, os hospitais, lotados e a segurança pública problemática.

Maravilha.