Rita Lee e o excesso policial
A internet acordou domingo com uma polêmica: Rita Lee.
Em seu último show, a cantora teria agredido verbalmente os policiais e, ao final da apresentação, foi detida e levada à delegacia. Solta, horas depois, graças a intervenção da vereadora Heloísa Helena (PSOL).
A partir dessas informações começou o circo de julgamentos sumários no twitter e no facebook. De um lado, os que criticavam ferozmente a postura da cantora, do outro, os que defendiam cegamente. Digladiavam-se.
A cobertura dos jornais foi falha, o que prejudicou o debate.
A imprensa não foi além da versão oficial, dada pelos PM's e pelo governador Marcelo Déda (PT). Não vi ninguém entrevistar algum espectador da apresentação para saber a opinião desta pessoa sobre o que ocorreu.
Ontem começaram a pipocar os vídeos da polêmica e deu para perceber: houve excesso da atuação policial e esse excesso foi criticado duramente por Rita Lee.
Pode-se argumentar que o tom das críticas da cantora foi além do que deveria ter sido. Verdade. Mas, em suma, ao que parece, não estavam erradas em seu conteúdo.
Sei que ser policial no Brasil é difícil. Salário baixo. Risco alto. O problema, em si, não é do policial, mas da instituição, da forma com as coisas são levadas e de como as pessoas são treinadas e remuneradas pelo serviço.
Muito além do que criticar a postura da cantora, ou dos policiais no evento, deve-se repensar a forma como a polícia militar brasileira é gerida, o baixo salário que os profissionais recebem e o treinamento ruim e falho que são submetidos.
Isso evitaria uma série de problemas, como o que ocorreu no último final de semana.
CEI dos contratos e eleições
A frase é essa: “Não sei se vou aceitar o cargo, é muita responsabilidade. Se a gente faz bem leva ‘pau’ se faz mal leva ‘pau’ . Vou ter que pensar” dita pelo bispo Francisco de Assis (PSB), vereador de Natal e reproduzido no Fator RRH.
A ocasião é a seguinte: Júlio Protásio, condenado no processo da Operação Impacto, pediu afastamento da relatoria da CEI. Francisco de Assis foi indicado e veio com a pérola acima.
Como assim meu querido Bispo? Você não tem colhão nem competência para fazer uma análise fria dos fatos e relatar a CEI dos contratos da forma mais isenta possível?
Não tem coragem de tomar uma decisão, seja ela qual for, e assumi-lá até o fim?
O nome disso para mim é um só: covardia vindo junto com um atestado de incompetência devidamente carimbado pelo próprio bispo.
A verdade é a seguinte, não há interesse da maioria dos vereadores em levar a CEI dos Contratos a frente. Motivo: os edis estão preocupados em garantir a cadeira deles na eleição deste ano.
E eleição significa gastar dinheiro. Quer mamata melhor do que o executivo municipal para financiar a campanha?
Oposição a Micarla só serve publicamente. Nas entrelinha, lá dentro, é muito melhor estar do lado da prefeita. Garantia de cargos, influência e poder.
E é isso que a maioria dos vereadores querem, de fato.
A sinuca real do bispo é a seguinte: dá um parecer do relatório por um impeachment, por exemplo, fica bem na opinião pública, mas perde a influência que deve ter junto ao executivo municipal.
Se der um parecer contrário ao impeachment fica mal na fita com o povo, mas garante a mamata municipal.
Escolha difícil heim.
Ps. Há um provérbio que vi dia desses num filme que fala mais ou menos assim: "Bravura não significa ter coragem para fazer coisas perigosas, mas é de ter coragem de fazer o certo, quando ninguém quer ou vai fazê-lo".
Bolha no mercado imobiliário de Natal?
A mudança é visível: de três anos para cá houve um boom de construções imobiliárias em Natal.
Em todo lugar, um novo empreendimento. Fruto, possivelmente, dos bons ventos da economia que sopram Brasil afora, as facilidades do crédito e também de programas como o "Minha Casa, Minha Vida".
Um mar de rosas imobiliário.
Mas algo me chamou atenção no ano passado. O levantamento do censo do último censo do IBGE constatava: um terço dos imóveis em Ponta Negra, principal bairro turístico da cidade, estavam desocupados.
Imóveis há anos esperando um locador, ou um novo proprietário. Os preços: bem salgados. Entrevistei dois corretores que, vendedores como são, "desmentiram" os números do IBGE e reafirmaram a boa movimentação no setor em todos os bairros.
Outro dado. Nenhum jornal local divulgou - e nem vão divulgar, até porque imobiliárias são baita anunciantes - mas a feira imobiliária de Natal no ano passado foi um fracasso. Corretores que conversei - na época, cobri a feira - falaram que foi uma das mais fracas dos últimos anos.
Moro em Capim Macio e notei uma escalada surpreendente no preço dos aluguéis. Casas que, há dois anos, custavam R$ 1500 por mês, hoje chegam a custar R$ 3 mil. E um detalhe: um número alto de casas a venda, ou para alugar.
Embora a renda tenha aumentado, tenho a impressão que o preço dos imóveis está em descompasso e se segura nas facilidades do crédito.
O que especulo é: há uma possibilidade da criação de uma bolha econômica no mercado imobiliário em Natal. Estamos há dois anos da Copa e a tendência é que os preços subam ainda mais, com a especulação do capital estrangeiro, sem acompanhar o crescimento da renda do natalense.
Filme semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos em 2008. A crise mundial foi, inicialmente, uma crise de crédito imobiliário.
Imóveis caros, vasta oferta de crédito e baixo aumento real na renda e na produtividade. É crise na certa.
É bom ficar de olho.
Crise no Tribunal de Justiça do RN
A crise no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte parece não ter fim.
Na Folha de hoje: CNJ suspendeu o repasse de bens para o órgão. Motivo: mais de 10% dos repasses feitos ao Tribunal "não foram localizados".
São cerca de R$ 901 mil perdidos, segundo o jornal paulista. O segundo estado com maior número de repasses "não localizados".
Ou seja, não houve prestação de contas. Não se sabe onde esses bens estão. Eles fazem parte de um conjunto que soma mais de R$ 6,4 milhões de investimentos feitos em tribunais em todo o país que, ninguém sabe onde está.
Quem é assinante da Folha pode ler a matéria na íntegra: "R$ 6,4 milhões em doações do CNJ a tribunais desaparecem"
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